16-05-2006
Paulicéia Desvairada
Um desvairio total.
Ontem o que vi, acima de tudo, foi o pavor causado pela guerrilha. Eu, pelo menos, enxergo isso tudo que está acontecendo como guerrilha. Eu saí com Papai W pra fazer coisas de tarde. No caminho, minha irmã mais velha ligou falando que tinha toque de recolher as 6 da tarde, e que era bom a gente voltar pra casa rapidinho. Na marcenaria, a dona recebe um telefonema do filho falando a mesma coisa. No banco, todo mundo com cara nervosa, e um senhor chegou falando que tinham assassinado uma pessoa no shopping Iguatemi. Em Pinheiros, as lojas estavam todas fechadas, pouco depois das 4 da tarde.
O trânsito estava ruim. Muitas pessoas pela rua, tentando voltar pra casa, num dia de muito medo, muita dúvida, e poucos ônibus. Minha irmã mais velha ligou de novo, à beira da histeria. Meu primo Arturo foi quem finalmente nos deu alguma notícia com fundamento. Ele trabalhou um tempão na Rádio Eldorado, como bike repórter, e ligou para seus contatos informativos: não, a notícia do toque de recolher não tinha se confirmado, mas era verdade que motoboys estavam mandando fechar o comércio.
Os shoppings fecharam cedo. O comércio de rua fechou cedo. A cidade fechou cedo.
De noite, assistindo a televisão, quase todos os canais da TV aberta tinham programas extra sobre a violência: o Datena, o Marcelo Resende, até no programa do Ronnie Fon só se falava isso. Vi e ouvi militares falando mal da política de segurança pública, que está realmente uma porcaria. Vi e ouvi especialistas na área de segurança, juristas, perguntando onde estão os direitos humanos dos cidadãos, falando que nenhum político ou entidade de direitos humanos foi dar apoio às famílias dos policiais assassinados. Porque, quando se trata de ir na porta da cadeia fazer protesto por melhores condições para os presos, eles são infalíveis. Claro que eles têm direitos. Mas e os nossos direitos humanos, nós, pobres cidadãos, que vivemos enjaulados nas nossas casas, pagamos impostos, e nosso único crime é tentar levar uma vida mais ou menos digna, na medida do possível?
O que sobrou? Pra mim, uma tristeza profunda.
17:03 Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail


Comentários
è amiga,ontem a coisa foi feia mesmo. Até ameaça de bom sofremos no aeroporto.
Me senti em um mini=iraque, toda vez que algum policial entrava armado no aeroporto eu queria me esconder de baixo da mesa.
Escrito por: Lika | 16-05-2006
Pois é... tou tão triste com isso tudo, que esqueci até de assinar o Post...
Eu posso ser ranheta, ams sou otimista. Mas pela primeira vez na vida, eu simplesmente não acredito mais.
Escrito por: Cecilia W. | 16-05-2006
Lembrei-me de uma novela passada a algumas decadas.
E NÓS? AONDE VAMOS?
Escrito por: jacqueline | 19-05-2006
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